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ATALAIA, Vila Nova da Barquinha, Portugal
Vivendo nesta terra há 30 anos vou perguntar à história e à tradição qual a origem desta localidade. Desejo saber quem neste atractivo sítio erigiu a primeira construção, quais as obras que foram nascendo, a sua idade e as mãos que as edificaram, quais os seus homens ilustres e os seus descendentes, quem construiu as estradas, os caminhos, as pontes e as fontes. Quão agradável será descobrir em cada pedra os nossos antepassados levantando com palavras o sonho do nosso futuro. Atalaia, 18-11-2007.

17.9.11

A FEIRA FRANCA DA VILA DA ATALAIA

Dissipa-se na escuridade dos tempos a altura em que se iniciou a feira da Atalaia.
Vamos, então, à sua procura!
Nos tempos dos primórdios da nacionalidade a agricultura era a principal actividade do reino e dela emanava uma força social significativa.
D. Dinis, denominado o “Rei Lavrador”, proferia que os homens que se dedicavam à agricultura eram os “Nervos do Estado”. Ora, para colocarem os seus produtos à venda os agricultores afluíam às feiras e mercados em todo o território nacional.
Como sabemos, a mando de D. José I e de Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido por Marquês de Pombal, no ano de 1758, foram efectuados os interrogatórios ou inquéritos paroquiais a todas as vilas e aldeias de Portugal, documentos que actualmente se encontram no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Lisboa. À questão: “19º. Se tem Feira, e em que dias, e quantos dura, e se é Franca, ou Captiva?”, respondeu o prior da Atalaia: “ Há só uma feira nesta vila a vinte de Janeiro, três dias franca…”, esta é a primeira referência que encontrei.
Posteriormente, descobri outra referência descritiva sobre a feira e que dou ao conhecimento mais adiante.
Em 1822 a vila da Atalaia detinha 626 fogos, 2196 habitantes, sendo 13 desses habitantes comerciantes. A população era estável “nem se tem vindo estabelecer nesta gente de fora, nem dela tem emigrado seus habitantes para outras partes”. Muita da população dedicava-se à agricultura pois neste território havia bons terrenos, como em outros lugares do reino. A principal cultura era o milho, produção de 4370 alqueires, semeado nos nateiros e nas terras de boa qualidade do interior da vila com acesso fácil à água da ribeira, das fontes e das nascentes com peculiar realce para baldios do Vale das Éguas, Braçal, Vale do Junco, Vale da Sardinha e Vale das Sete Fontes. Depois o trigo, com lavra de 1490 alqueires, centeio com 300 alqueires, este último semeado nas terras altas. Abundam as oliveiras com produção de 3.000 alqueires de azeitona pelo que, nesta vila da Atalaia, existiam vários lagares de azeite. Havia um de especial relevo, o lagar da Ponte da Pedra, do Sr. Trigoso, célebre pelo seu engenho com a roda principal movida por água, com 3 galgas, 4 varas e com movimento rápido que permitia fazer uma moedura numa hora. Igualmente, havia muita gente que se empregava na navegação, 446 pessoas designadas por gentes do mar que se deslocavam na sua faina para a capital. Deste fluxo marítimo resultavam trocas e actos de comércio que davam força e pujança às gentes da Atalaia e, obviamente, à sua feira.
O comércio está intimamente relacionado com a agricultura pela troca de produtos, bem como à indústria/manufacturação e a pecuária.
Também, a Atalaia era rica em louça, devido à abundância de greda na nossa região. Existiam 15 oleiros que comercializavam os seus produtos nas feiras circunvizinhas em concorrência com as das da Flor da Rosa e das Caldas da Rainha.
Na Ponta da Pedra havia um engenho de serrar madeira e a população da Atalaia apresenta 37 carpinteiros de obras número significativo para a comarca de Tomar que permitia criar riqueza para a aquisição de produtos na feira. Todas estas actividades concorriam para que a feira fosse um grande acontecimento. Mas, vejamos o relato que descobri nas Memórias da Academia Real:
A feira da Atalaia se faz pela mesma villa; o primeiro dia é a 20 de Janeiro de todos os anos, e continua também nos dias seguintes. É uma das melhores feiras destes contornos, e onde vão muitas lojas de mercadores, e capelistas. Entretanto um dos objectos de maior consideração desta feira é a grande quantidade de porcos, que ali entram, e donde se extraem assim para estas terras circunvizinhas, como também para a capital: os porcos, que ordinariamente ali entram são já gordos, e vindos dos montados do Alentejo directamente, ou de negociações feitas em a feira de Galveas, que costuma ser a 7 do dito mês.
Somente esta negociação faz a feira de grande monta, e entidade, e é de grandes vantagens não só para a vila, mas também para as povoações vizinhas, que anualmente costumam ir sortir-se à dita feira dos géneros, que ali concorrem, e especialmente dos porcos, e o que algum modo torna a feira estável”.
Por último, as feiras e mercados deste território, comarca de Tomar, mais concorridas eram as Punhete (Constância), Paio de Pelle ou Feira de Tancos, Atalaia e Santa Cita.

Bibliografia: MEMORIAS DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA, TOMO VIII, PARTE I, 1823

1 comentário:

Jorge Tormenta disse...

Boa pesquisa. ainda fui frequentador dessa feira, em miúdo, acompanhando o meu pai e o meu avô Tormenta que normalmente comprava ali o seu porco (s) para criar em casa na Moita. Mas o que mais marcava os miúdos na altura era a possibilidade de nos oferecerem uns cordões de pinhões que comíamos saborosamente. agora o pinhão está caro... mas deve saber bem na mesma!